Há quem diga que só se vê bem com o coração — e foi assim que te enxerguei pela primeira vez. O essencial em ti é invisível aos olhos, mora num jeito miúdo de sorrir, num gesto que cativa sem pedir licença.
« Tu deviens responsable de ce que tu as apprivoisé. »

Te penso como aqueles dias suspensos dos filmes do Ghibli — vento morno sobre campos verdes, um trem que atravessa o mar, uma janela aberta no fim da tarde. Você tem essa quietude bonita das coisas que a gente quer guardar com cuidado.
“You are my favorite world to get lost in.”

E mesmo nas tardes mais cinzentas, você é a porta pequena no fundo do corredor, aquela que se abre num mundo de cores mais doces — só que real, sem botões nos olhos, sem trocas, sem disfarces. Real do jeito raro que é raro encontrar.
«Eres la flor que mi planeta no sabía que esperaba.»

Minha raposinha, se um dia o silêncio entre nós ficar comprido demais, lembra: existe um campo de trigo em algum canto do mundo cuja cor agora me lembra você — e isso, por si só, já é motivo de cuidar do que floresce entre a gente.

